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Quatrocentos reais. Esse foi o valor que um jovem de 22 anos pagou por um celular que, sem saber — ou preferindo não saber —, carregava um registro de furto. A compra, feita por um aplicativo de vendas na internet, terminou em prisão em flagrante na tarde desta quarta-feira, 21 de maio, no coração de Itambé do Mato Dentro.

Por volta das 13h15, uma guarnição da Polícia Militar realizava patrulhamento de rotina pela Rua Principal, no bairro Centro, quando dois homens chamaram a atenção dos militares. O comportamento dos dois era o tipo que experientes na farda reconhecem de longe: o olhar que desvia, o passo que muda, o corpo que trai o nervosismo assim que vê a viatura.

Os policiais fizeram a abordagem. Durante a busca pessoal, encontraram com um dos rapazes um aparelho Samsung, de cor preta. Nada de extraordinário à primeira vista — até o momento em que consultaram o número IMEI do aparelho nos sistemas policiais. O resultado não deixou dúvida: o celular tinha registro de furto.

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Confrontado, o jovem explicou que havia comprado o aparelho por R$ 400,00 por meio de uma plataforma de vendas online. A história é conhecida: anúncios de smartphones com preços muito abaixo do mercado, vendedores com histórico vago e entrega que evita qualquer tipo de rastreamento. Um smartphone Samsung de entrada novo custa em média entre R$ 800 e R$ 1.200 nas lojas da região. A metade do preço, nesses casos, quase sempre tem um custo que vai além do financeiro.

Diante dos fatos, o homem recebeu voz de prisão em flagrante pelo crime de receptação — previsto no artigo 180 do Código Penal, que pune quem adquire produto obtido por meio criminoso, mesmo sem ter participado do crime original. Ele foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil de Itambé do Mato Dentro para os procedimentos legais cabíveis. O celular foi apreendido como evidência.

Vale lembrar que esse tipo de ocorrência não é novidade nem em Itambé do Mato Dentro, nem nos municípios vizinhos da região do Rio Santo Antônio. A circulação de produtos furtados por meio de plataformas digitais como OLX e Facebook Marketplace tem sido uma preocupação recorrente das forças de segurança em toda a região central de Minas Gerais. A facilidade de anunciar anonimamente e a dificuldade de rastrear o vendedor tornam esses canais atraentes para quem quer se desfazer de mercadorias com procedência duvidosa.

O que muda, agora, é que a Polícia Militar tem ampliado o uso da consulta de IMEI como ferramenta padrão nas abordagens — uma prática que, embora simples, tem se mostrado altamente eficaz na recuperação de aparelhos e na responsabilização de quem os carrega.

Para o morador de Itambé do Mato Dentro e da região, o caso serve de alerta direto: comprar celular barato demais de desconhecido na internet é um risco que pode custar muito mais caro do que o valor da "pechincha". A receptação é crime, mesmo que o comprador jure não saber da origem do produto. A lei, nesse ponto, é dura — e a PM está de olho.

O segundo indivíduo abordado não foi preso. Os militares também registraram a presença de odor característico de maconha no local durante a ação, mas nenhuma substância ilícita foi localizada durante as buscas.

O caso segue sob responsabilidade da Polícia Civil, que deverá investigar a origem do aparelho e tentar identificar o autor do furto original — e quem o colocou à venda na internet.

FONTE/CRÉDITOS: PMMG