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Itabira perdeu nesta quinta-feira (4) uma de suas vozes mais importantes. Rosemary Alvares de Souza, a Dona Rosinha, morreu aos 67 anos. Escritora, ativista e liderança comunitária do Quilombo Morro Santo Antônio, ela dedicou décadas da vida à organização da comunidade, à defesa das mulheres e à preservação da memória do lugar onde nasceu e cresceu.

A morte foi confirmada pelo filho, Vinicios Souza, nas redes sociais. Em seu texto de despedida, ele a chamou de "pequena grande mulher" e lembrou sua trajetória como escritora, ativista, mãe e defensora de direitos. Para ele, Dona Rosinha fez sua voz ecoar em diferentes espaços e deixa uma história de resistência e força para inspirar novas gerações.

O velório está marcado para este sábado (6), das 8h às 14h, na Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade. Em seguida, o corpo será levado para a Igreja de Santo Antônio, no Quilombo Morro Santo Antônio, onde o velório segue das 14h30 às 16h30. O sepultamento acontece às 16h30. A causa da morte ainda não foi divulgada oficialmente.

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Dona Rosinha iniciou sua trajetória na vida associativa em 1986, quase por acaso. Em entrevista concedida em 2022, ela contou que começou a frequentar reuniões da comunidade e, numa delas, foi chamada para escrever a pauta após a ausência da secretária. Dali em diante, nunca mais se afastou. Chegou a presidir a Associação do Quilombo Morro Santo Antônio e atuou em diferentes entidades do movimento comunitário itabirano.

Para ela, liderar não era estar acima da comunidade, mas ao lado dela — orientar, aprender, preocupar-se com o próximo e preparar novas pessoas para continuar o caminho coletivo.

Nos últimos meses, sua história ganhou ainda mais alcance com o lançamento do livro "Memórias do Meu Quilombo", publicado pela Editora Pallas. A obra reúne 16 narrativas inspiradas em sua vida — a infância, a maternidade, a religiosidade, a pobreza, a ancestralidade e as relações de solidariedade do quilombo. O livro foi lançado durante o Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira), com a presença da escritora Conceição Evaristo, que foi quem enxergou força literária nas cartas e diários que Dona Rosinha mantinha desde a adolescência.

Em nota, a Prefeitura de Itabira afirmou que a cidade se despede de uma mulher que ajudou a escrever a história de sua comunidade com coragem, participação e compromisso. A primeira-dama Raquell Guimarães também prestou homenagem, destacando o livro como um documento importante sobre a experiência de nascer mulher brasileira em um território marcado por desigualdades.

Nas redes sociais, instituições e pessoas ligadas à cultura, à educação e à segurança pública lamentaram a perda. O delegado Diogo Luna afirmou que Itabira amanheceu triste e agradeceu os ensinamentos de resistência e resiliência que Dona Rosinha deixou para a cidade.

Ela tinha 67 anos, uma vida inteira dedicada ao quilombo e um livro publicado para que sua história nunca seja esquecida.

Redação Itabira Notícias

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