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Itabira perdeu uma de suas vozes mais importantes. A Prefeitura Municipal decretou luto oficial de três dias pela morte de Dona Rosinha, escritora, ativista comunitária e uma das lideranças mais respeitadas da história recente da cidade. Moradora do Quilombo Morro Santo Antônio, ela dedicou décadas de sua vida à defesa dos direitos sociais, da memória quilombola e das mulheres de Itabira.
A trajetória de Dona Rosinha é inseparável da história do Quilombo Morro Santo Antônio. Ao longo de mais de 16 anos de atuação na associação da comunidade, ela esteve na linha de frente de uma das conquistas mais significativas para o quilombo: a certificação oficial, obtida em 2011. Esse reconhecimento não foi um ato burocrático — foi o resultado de anos de luta, resistência e mobilização, e Dona Rosinha esteve no centro de cada etapa desse processo.
Sua voz, no entanto, não ficou restrita aos limites do quilombo. Ela marcou presença em conselhos municipais, entidades representativas e diversos espaços de participação popular em Itabira. Presidiu por dois mandatos a Interassociação dos Amigos de Bairros de Itabira, cargo que exerceu com dedicação e que lhe deu ainda mais alcance para levar as demandas das comunidades periféricas ao centro das decisões da cidade.
Dona Rosinha também foi escritora — e essa dimensão de sua atuação tem um peso especial. Ao registrar histórias, memórias e experiências em palavras, ela contribuiu para que a cultura, a identidade e a resistência do povo negro de Itabira não se perdessem com o tempo. Escrever, para ela, era também uma forma de lutar.
Além da luta quilombola, Dona Rosinha esteve permanentemente engajada em iniciativas voltadas à defesa dos direitos das mulheres e ao combate à violência de gênero. Sua presença em espaços de poder era, em si mesma, uma forma de resistência — a de uma mulher negra, quilombola e periférica ocupando lugares que historicamente lhe foram negados.
A decretação do luto oficial pela Prefeitura de Itabira é um reconhecimento público e institucional de uma vida inteiramente dedicada ao outro, à comunidade e à justiça social. Mas o legado de Dona Rosinha vai muito além de decretos — ele vive nas conquistas que ela ajudou a construir, nas pessoas que ela formou e na memória que ela se recusou a deixar apagar.
Itabira chora. E ao mesmo tempo, celebra a vida de quem deixou a cidade mais justa, mais consciente e mais humana.
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Publicado por:
Igor Zeferino
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