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Tem teatro de verdade chegando a Itabira. No dia 15 de julho, a cidade recebe a abertura do Festival de Inverno com "Aurora – Uma homenagem à obra de Paulo Mendes Campos". A peça marca os 25 anos do projeto Teatro em Movimento e mistura crônicas, poemas e cartas de um dos nomes mais queridos da literatura brasileira.

A apresentação é única. Acontece às 20h, no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade. Entrada gratuita, por ordem de chegada — e, pelo histórico de espetáculos assim, a recomendação é chegar cedo.

Quem foi Paulo Mendes Campos

Belo-horizontino, Paulo Mendes Campos (1922–1991) foi poeta, cronista, jornalista e tradutor. Ele ajudou a transformar a crônica em algo mais do que um texto leve de jornal: virou literatura de verdade, cheia de sensibilidade.

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Fez parte de uma geração e tanto. Andava ao lado de Fernando Sabino, Rubem Braga, Otto Lara Resende e Carlos Drummond de Andrade. Eram amigos próximos, desde os tempos em que Paulo ainda se ajeitava na vida carioca.

Qual a ligação entre Paulo Mendes Campos e Drummond?

Forte, segundo conta o diretor da peça, Rodrigo Penna. Foi Drummond quem deu uma força a Paulo quando ele chegou ao Rio — arrumou emprego pra ele e até emprestou a própria máquina de escrever. Esse pedaço de amizade entre os dois mineiros aparece em um dos momentos do espetáculo.

Como é a estrutura do espetáculo

Esqueça começo, meio e fim no formato tradicional. "Aurora" não segue linha do tempo nem personagens fixos. É mais um mosaico: crônicas inteiras, fragmentos, cartas, colunas de jornal — tudo costurado junto.

No palco, Elisa Pinheiro, Gustavo Damasceno e Kadu Garcia dão vida a esse universo, com música, projeções e performance. O destaque vai para a coletânea "O Amor Acaba – Crônicas Líricas e Existenciais", de 1999.

Por que a peça é descrita como um "relicário" pelo próprio diretor?

Foram mais de 40 versões de roteiro até chegar no resultado final. Rodrigo Penna conta que leu, pesquisou e trocou ideia bastante com a consultora Adriana Falcão antes de fechar o texto. Ele mesmo chama o espetáculo de uma espécie de coletânea afetiva — quase uma caixinha de lembranças do Paulo, construída aos poucos.

Trajetória do espetáculo até chegar a Itabira

"Aurora" estreou em novembro de 2025 e já rodou São Paulo e Rio de Janeiro, com boa repercussão entre a crítica. Agora chega ao público mineiro — e não por acaso, pousa justamente na terra de Drummond.

A montagem também é uma homenagem ao diretor carioca Aderbal Freire Filho (1941–2023), grande referência para Rodrigo Penna, e a Joan Abercrombie, viúva de Paulo Mendes Campos.

Ficha técnica e equipe criativa

A cenografia é de Marcus Figueiroa e Emilia Merhy, recriando ambientes do universo do escritor, como seus apartamentos em Copacabana. Marie Salles assina o figurino. A trilha sonora é do próprio Rodrigo Penna, ao lado de Chico Beltrão e Daniel Roland.

O espetáculo ainda traz participação especial em vídeo de Lázaro Ramos e Julia Lemmertz, com direção de movimento de Márcia Rubin e iluminação de Lina Kaplan.

Apoio e realização em Itabira

A passagem por Itabira tem patrocínio do Instituto Cultural Vale, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com apoio da Prefeitura de Itabira e da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade — parceria que já dura mais de um ano com o Festival de Inverno.

Serviço

  • Espetáculo: Aurora – Uma homenagem à obra de Paulo Mendes Campos
  • Data: 15 de julho de 2026, quarta-feira
  • Horário: 20h
  • Local: Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade – Av. Carlos Drummond de Andrade, 666, Centro, Itabira/MG
  • Entrada: gratuita, por ordem de chegada, sujeita à lotação
  • Classificação: livre
  • Duração: 60 minutos

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