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A desculpa foi criativa, mas não adiantou muito. Um homem de 38 anos disse à Polícia Militar que havia escalado o muro de um pátio industrial na Avenida Wilson Alvarenga, no bairro Belmonte, em João Monlevade, apenas para ter um lugar para dormir. O problema é que quando os militares chegaram, encontraram com ele um carrinho de mão com vestígios de aproximadamente 3.000 porcas e parafusos — os mesmos que o estabelecimento havia acabado de registrar como furtados.

Foram os funcionários que pegaram primeiro

A Polícia Militar foi acionada às 10h11 desta quinta (02/07) para atender a ocorrência de furto no pátio industrial. Quando chegaram, o suspeito já estava contido — não pela polícia, mas pelos próprios funcionários do local, que o flagraram transpondo o muro do estabelecimento e o seguraram até a chegada da viatura. Esse tipo de ação dos trabalhadores é chamada de prisão em flagrante por particular, prevista no Código de Processo Penal, e é completamente legal.

Três mil peças num carrinho de mão

O volume furtado chama atenção: aproximadamente 3.000 porcas e parafusos não é o perfil de quem pega uma peça ou outra por necessidade imediata. Peças industriais desse tipo têm valor de revenda em ferros-velhos e comércios de materiais usados, o que sugere que o objetivo era mesmo a comercialização do material. A Polícia Civil, que recebeu o caso após a prisão, deve investigar se houve receptação envolvida — ou seja, se alguém estava aguardando o material do lado de fora.

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Preso, perícia acionada e caso em apuração

Mesmo negando o crime, o homem foi preso em flagrante e conduzido à Delegacia de Polícia Civil de João Monlevade. A perícia técnica foi acionada para realizar os levantamentos no local e documentar as evidências encontradas — incluindo os vestígios no carrinho de mão, peça importante para sustentar o flagrante mesmo com a negativa do suspeito.

Furto qualificado por escalada — que é exatamente o caso aqui, já que o suspeito pulou o muro para entrar — tem pena maior do que o furto simples no Código Penal, variando de dois a oito anos de reclusão. Esse enquadramento deve ser analisado pela Polícia Civil durante o inquérito.

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