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O Legislativo itabirano parou nesta segunda-feira, 8 de junho, para homenagear uma das mulheres mais importantes da história recente da cidade. Antes do início da reunião ordinária, os vereadores da Câmara Municipal de Itabira realizaram um minuto de silêncio em memória de Rosemary Alvares de Souza, a Dona Rosinha, que faleceu na última quinta-feira, 4 de junho, aos 67 anos.

Escritora, ativista quilombola e líder comunitária reconhecida como uma das principais referências do Quilombo Morro Santo Antônio, Dona Rosinha construiu ao longo da vida uma trajetória marcada pela defesa das comunidades, pela valorização da cultura quilombola e pelo fortalecimento dos movimentos sociais em Itabira. Presidiu a associação da comunidade quilombola e também a Interassociação dos Amigos de Bairros de Itabira, tornando-se símbolo de resistência e participação popular na cidade.

Nos últimos anos, seu trabalho ganhou projeção nacional com o lançamento do livro "Memórias do Meu Quilombo", obra em que registrou histórias, vivências e tradições do Morro Santo Antônio. Mais do que uma obra literária, o livro é um documento vivo de preservação da memória de um povo — e o maior testemunho do quanto Dona Rosinha entendia que lembrar é também uma forma de resistir.

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O velório e as cerimônias de despedida foram realizados no último sábado, 6 de junho, reunindo familiares, amigos, lideranças comunitárias, autoridades e moradores. As homenagens aconteceram na Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e no próprio Quilombo Morro Santo Antônio — o território que ela tanto amou e pelo qual lutou durante décadas. Em cada discurso, um mesmo fio condutor: o legado de resistência, coletividade e compromisso social que Dona Rosinha deixa para Itabira.

A repercussão da sua morte foi além das fronteiras da cidade. O Ministério da Cultura destacou sua importância como guardiã das memórias quilombolas e referência na preservação da história e da identidade afro-brasileira no país.

Itabira perde uma voz que não se cala — porque as palavras que Dona Rosinha deixou escritas seguem vivas, e o quilombo que ela ajudou a fortalecer segue de pé.

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